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LEITURA I – Deut 18,15-20
Leitura do Livro do Deuteronómio
Moisés falou ao povo, dizendo:
«O Senhor teu Deus fará surgir
no meio de ti, de entre os teus irmãos,
um profeta como eu; a ele deveis escutar.
Foi isto mesmo que pediste ao Senhor teu Deus
no Horeb, no dia da assembleia:
‘Não ouvirei jamais a voz do Senhor meu Deus,
nem verei este grande fogo, para não morrer’.
O Senhor disse-me:
‘Eles têm razão;
farei surgir para eles, do meio dos seus irmãos,
um profeta como tu.
Porei as minhas palavras na sua boca
e ele lhes dirá tudo o que Eu lhe ordenar.
Se alguém não escutar as minhas palavras
que esse profeta disser em meu nome,
Eu próprio lhe pedirei contas.
Mas se um profeta tiver a ousadia
de dizer em meu nome o que não lhe mandei,
ou de falar em nome de outros deuses,
tal profeta morrerá’».
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 70 (71)
Refrão: A minha boca
proclamará a vossa salvação.
Em Vós, Senhor, me refugio,
jamais serei confundido.
Pela vossa justiça, defendei-me e salvai-me,
prestai ouvidos e libertai-me.
Sede para mim um refúgio seguro,
a fortaleza da minha salvação.
Vós sois a minha defesa e o meu refúgio:
meu Deus, salvai-me do pecador.
Sois Vós, Senhor, a minha
esperança,
a minha confiança desde a juventude.
Desde o nascimento Vós me sustentais
Desde o seio materno sois o
meu protector.
LEITURA II – 1 Cor 12,31-13,13
Leitura
da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios
Irmãos:
Aspirai com ardor aos dons espirituais mais elevados.
Vou mostrar-vos um caminho de perfeição que ultrapassa tudo:
Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos,
se não tiver caridade,
sou como bronze que ressoa ou como címbalo que retine.
Ainda que eu tenha o dom da profecia
e conheça todos os mistérios e toda a ciência,
ainda que eu possua a plenitude da fé,
a ponto de transportar montanhas,
se não tiver caridade, nada sou.
Ainda que distribua todos os meus bens aos famintos
e entregue o meu corpo para ser queimado,
se não tiver caridade, de nada me aproveita.
A caridade é paciente, a caridade é benigna;
não é invejosa, não é altiva nem orgulhosa;
não é inconveniente, não procura o próprio interesse;
não se irrita, não guarda ressentimento;
não se alegra com a injustiça,
mas alegra-se com a verdade;
tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.
O dom da profecia acabará,
o dom das línguas há-de cessar,
a ciência desaparecerá;
mas a caridade não acaba nunca.
De maneira imperfeita conhecemos,
de maneira imperfeita profetizamos.
Mas quando vier o que é perfeito,
o que é imperfeito desaparecerá.
Quando eu era criança, falava como criança,
sentia como criança e pensava como criança.
Mas quando me fiz homem, deixei o que era infantil.
Agora vemos como num espelho e de maneira confusa,
depois, veremos face a face.
Agora, conheço de maneira imperfeita,
depois, conhecerei como sou conhecido.
Agora permanecem estas três coisas:
a fé, a esperança e a caridade;
mas a maior de todas é a caridade.
ALELUIA – Lc 4,18
Aleluia.
Aleluia.
O
Senhor enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres,
a proclamar aos cativos a redenção.
EVANGELHO – Lc 4,21-30
Evangelho
de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele
tempo,
Jesus começou a falar na sinagoga de Nazaré, dizendo:
«Cumpriu-se hoje mesmo
esta passagem da Escritura que acabais de ouvir».
Todos davam testemunho em seu favor
e se admiravam das palavras cheias de graça
que saíam da sua boca.
E perguntavam:
«Não é este o filho de José?»
Jesus disse-lhes:
«Por certo Me citareis o ditado:
‘Médico, cura-te a ti mesmo’.
Faz também aqui na tua terra
o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum».
E acrescentou:
«Em verdade vos digo:
Nenhum profeta é bem recebido na sua terra.
Em verdade vos digo
que havia em Israel muitas viúvas no tempo do profeta Elias,
quando o céu se fechou durante três anos e seis meses
e houve uma grande fome em toda a terra;
contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas,
mas a uma viúva de Sarepta, na região da Sidónia.
Havia em Israel muitos leprosos no tempo do profeta Eliseu;
contudo, nenhum deles foi curado,
mas apenas o sírio Naamã».
Ao ouvirem estas palavras,
todos ficaram furiosos na sinagoga.
Levantaram-se, expulsaram Jesus da cidade
e levaram-n’O até ao cimo da colina
sobre a qual a cidade estava edificada,
a fim de O precipitarem dali abaixo.
Mas Jesus, passando pelo meio deles,
seguiu o seu caminho.
R E F L E X Ã O
- O profeta Jeremias (1ª leitura) e o Profeta
Jesus (Evangelho), apesar de perseguidos, não aceites e não ouvidos
por muitos, tiveram sempre a coragem de denunciar os erros e proclamar
a verdade. Sabiam qual era a sua missão, e sabiam que Deus estava com
eles.
- Deus continua hoje a contar com as pessoas de
boa vontade, para intervir no mundo e orientar a história: para que as
pessoas não se esqueçam de Deus e das Suas Santas Leis; para que as
pessoas saibam o que é amar, o que é servir, o que é viver como
pessoa: com Dignidade, com Respeito, com Educação, com Fé, com
Esperança, e com Amor.
- No Baptismo, fomos enxertados em Cristo –
Profeta, Sacerdote e Rei – e todos ungidos para a profecia,
continuando a missão e a obra de Jesus no mundo.
- Estando atentos à vontade de Deus e à
realidade do mundo, veremos a longa distância que vai entre o modo
como se vive no mundo e as santas leis que Deus nos legou a todos. Mas
que longa e profunda distância, meu Deus! Basta pensarmos nas leis
civis escritas e aprovadas no nosso Parlamento pelos nossos deputados,
a destruir vidas humanas indefesas,
e a desagregar e a subvalorizar as famílias verdadeiras constituídas
por um homem e uma mulher, cimentadas no amor e abertas á geração de
novas vidas.
- Cada um de nós tem o dever de ser profeta de
Deus, e em nome de Deus, na sua casa, no seu local de trabalho, no seu
lugar de convivência: denunciando sem medo nem cobardia a mentira, a
injustiça, a exploração, o erro e o pecado; ensinando, avisando,
alertando e corrigindo; ainda mais com o que fazemos do que com o que
dizemos.
- A coragem de denunciarmos o mal e a ousadia
de sermos diferentes, destoando no modo de pensar, de falar e de viver
do mundo e da maioria social do nosso tempo, implica geralmente ser
mal aceite, mal compreendido e até ser rejeitado. Temos nós o direito
de ficar calados e de deixar correr? Não podemos, nem temos o direito
de ser egoístas, comodistas, desinteressados, despreocupados, como
nada fosse connosco.
- Entretanto, na nossa vida e no nosso apostolado,
não podemos esquecer-nos de que a nossa lei principal é a CARIDADE:
tudo o que fazemos e tudo o que dizemos, tem de ser dito e feito com
AMOR e por AMOR. É a Caridade que dá sentido à nossa vida e valor a
todos os nossos actos. Sem Caridade (Amor a Deus, por Deus, e em nome
de Deus), nada somos e nada fazemos de verdadeiramente importante.
Este é o
caminho que “ultrapassa tudo”! – diz S. Paulo. Quando não houver CARIDADE
(AMOR) no mundo, nas famílias, nos corações, na sociedade em geral, o mundo
será uma selva, onde imperará cada vez mais a “lei do mais forte” que já
está bem visível e já é bem praticada neste nosso país de Portugal.
Que Deus
nos abençoe e ajude: a acolher a mensagem de Jesus - mensagem de Amor, de
Paz e de Misericórdia - e a
proclamá-la à nossa volta. Com humildade e simplicidade, mas também com
coragem e desassombro.
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