Publicada por Correia Duarte | Etiquetas: | Posted On at 14:28

25º Domingo do Tempo Comum – Ano C
– 18 de setembro de 2016




LEITURA I – Am 8,4-7
Leitura da Profecia de Amos
Escutai bem, vós que espezinhais o pobre e quereis eliminar os humildes da terra. Vós dizeis: «Quando passará a lua nova, para podermos vender o nosso grão? Quando chegará o fim de sábado, para podermos abrir os celeiros de trigo? Faremos a medida mais pequena, aumentaremos o preço, arranjaremos balanças falsas. Compraremos os necessitados por dinheiro e os indigentes por um par de sandálias. Venderemos até as cascas do nosso trigo». Mas o Senhor jurou pela glória de Jacob: «Nunca esquecerei nenhuma das suas obras».
Palavra do Senhor.
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 112 (113)
Refrão 1: Louvai o Senhor, que levanta os fracos.
Refrão 2: Louvai o Senhor, que exalta os humildes.

Louvai, servos do Senhor,
louvai o nome do Senhor.
Bendito seja o nome do Senhor,
agora e para sempre.

O Senhor domina sobre todos os povos,
a sua glória está acima dos céus.
Quem se compara ao Senhor nosso Deus, que tem o seu trono nas alturas
e Se inclina lá do alto a olhar o céu e a terra.

Levanta do pó o indigente
e tira o pobre da miséria,
para o fazer sentar com os grandes,
com os grandes do seu povo.

LEITURA II – 1 Tim 2,1-8
Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo a Timóteo
Caríssimo: Recomendo, antes de tudo, que se façam preces, orações, súplicas e acções de graças por todos os homens, pelos reis e por todas as autoridades, para que possamos levar uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade. Isto é bom e agradável aos olhos de Deus, nosso Salvador; Ele quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. Há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, que Se entregou à morte pela redenção de todos. Tal é o testemunho que foi dado a seu tempo e do qual fui constituído arauto e apóstolo – digo a verdade, não minto – mestre dos gentios na fé e na verdade. Quero, portanto, que os homens rezem em toda a parte, erguendo para o Ceu as mãos santas, sem ira nem contenda.
Palavra do Senhor.
EVANGELHO – Lc 16,1-13
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Um homem rico tinha um administrador que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar’. O administrador disse consigo: ‘Que hei-de fazer, agora que o meu senhor me vai tirar a administração? Para cavar não tenho força, de mendigar tenho vergonha. Já sei o que hei-de fazer, para que, ao ser despedido da administração, alguém me receba em sua casa’. Mandou chamar um por um os devedores do seu senhor e disse ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’. Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’. O administrador disse-lhe: ‘Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta’. A seguir disse a outro: ‘E tu quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. Disse-lhe o administrador: ‘Toma a tua conta e escreve oitenta’. E o senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. De facto, os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes. Ora Eu digo-vos: Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas. Quem é fiel nas coisas pequenas, também é injusto nas grandes. Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso? Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro».
Palavra da Salvação
R E F L E X Ã O
A liturgia sugere-nos, hoje, uma reflexão sobre o lugar que o dinheiro e os outros bens materiais devem assumir na nossa vida. De acordo com a Palavra de Deus que nos é proposta, os discípulos de Jesus devem evitar que a ganância ou o desejo imoderado do lucro manipulem as suas vidas e condicionem as suas decisões e os seus comportamentos.

1. ….. Na primeira leitura, o profeta Amós denuncia os comerciantes sem escrúpulos, preocupados em ampliar sempre mais as suas riquezas, que apenas pensam em explorar a miséria e o sofrimento dos pobres. Amós avisa: Deus não está do lado de quem, por causa da obsessão do lucro, escraviza os irmãos. A exploração e a injustiça não passam em claro aos olhos de Deus.

2. ……O oráculo que nos é proposto é uma denúncia das actividades desses que “espezinham o pobre” e querem “eliminar os humildes da terra”. Quem são, em concreto, esses que o profeta denuncia? Trata-se de comerciantes sem escrúpulos, dominados pelo espírito do lucro, em cujos olhos só brilham cifrões. Eles compram aos agricultores os produtos da terra a preços irrisórios e revendem-nos aos pobres a preços exorbitantes, especulando com as necessidades dos humildes; roubam os clientes pobres, usando pesos, medidas e balanças falsas; aldrabam a qualidade dos produtos, misturando as cascas com o trigo; nos dias de sábado e de lua nova (dias sagrados, em que as actividades lucrativas eram suspensas), em lugar de se preocuparem com o louvor de Deus e a adoração ao Senhor no Seu templo, eles estão ansiosos por recomeçarem os seus negócios de especulação e de exploração do pobre, a fim de aumentarem os seus lucros. Deus não está disposto a ser cúmplice da injustiça e da exploração do pobre. Qualquer crime cometido contra os pobres é um crime contra Deus… Por isso, o profeta Amós anuncia que Deus vê tudo, sabe de tudo, e vai intervir na hora própria.
3……O Evangelho apresenta a parábola do administrador esperto, ainda que de algum modo desonesto. Nela, Jesus oferece aos discípulos o exemplo de um homem que percebeu como os bens deste mundo eram precários, e os usou para assegurar valores mais duradouros e consistentes…Para angariar a amizade e a gratidão dos seus vizinhos, devedores ao seu senhor, achou que valia a pena perder dinheiro.
Jesus avisa os seus discípulos para fazerem o mesmo.

4….. O mundo em que vivemos faz do dinheiro o deus fundamental, e que tudo deixa de ter importância, desde que se possam acrescentar mais uns números à conta bancária. Para ganhar mais dinheiro, há quem trabalhe doze ou quinze horas por dia, num ritmo de escravo, e prescinda da família e dos amigos; por dinheiro, há quem sacrifique a sua dignidade e apareça a expor, diante de uma câmara de televisão, ou de uma camara de filmar, o seu corpo, a sua intimidade e a sua privacidade; por dinheiro, há quem venda a sua consciência e renuncie a princípios e valores em que acredita; por dinheiro, há quem não tenha escrúpulos em sacrificar a vida dos seus irmãos e venda drogas e armas que matam; por dinheiro, há quem seja injusto, explore os seus operários, lhes pague mal e fora de horas, e até se recuse a pagar o salário da semana ou do mês, sobretudo quando sabe que o trabalhador não tem outra solução de emprego, ou é ilegal e não se pode queixar às autoridades; e há quem peça dinheiro aos outros, dizendo-se em extrema necessidade, e nunca mais se preocupe em devolvê-lo. E há quem gaste o que precisa e o que não precisa, e nunca mais aparece para pagar o que comprou, ou o serviço que lhe prestaram.

 5….Jesus avisa os discípulos de que a aposta obsessiva no “deus dinheiro” não é o caminho mais seguro para construir valores duradouros, geradores de vida plena, verdadeira e feliz.  É preciso – sugere Ele – que saibamos aquilo em que devemos apostar… O que é, para nós, mais importante: o dinheiro, ou os valores do “Reino de Deus”? Os bens terrenos, ou a Fé e a Adoração a Deus, a paz e a reunião da família, e a ajuda aos nossos irmãos? O que é que nos torna mais livres, mais humanos e mais felizes: a escravidão dos bens, ou o amor e a partilha da nossa vida e dos nossos bens?

6….Considerando os grandes sacrifícios que as pessoas fazem e são capazes de fazer para arranjarem mais dinheiro, pensando nos meios que tantos empregam tantos espalharem o erro, a mentira e o mal na nossa sociedade, teremos que perguntar a nós próprios se fazemos o mesmo esforço para adquirirmos os bens espirituais, para expandirmos a mensagem de Jesus e para ganharmos o céu.

7…..Deus e o dinheiro representam mundos contraditórios e procurar conjugá-los é impossível… Nós, os discípulos de Cristo, somos portanto, convidados a fazer uma opção e uma escolha entre um mundo de egoísmo, de interesses mesquinhos, de exploração, e de injustiças, e um mundo de amor, de doação, de partilha, de fraternidade e de serviço aos outros, ou seja, dos valores duradouros e eternos.
Que o Espírito do Senhor nos ilumine.
Que Nossa Senhora nos ajude. 


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