PALAVRAS DE DEUS - XXIII DOMINGO COMUM - ANO C
Publicada por Correia Duarte | Etiquetas: Domingo a Domingo... | Posted On at 04:21
4 de setembro de 2016
XXIII DOMINGO COMUM – ANO C
LEITURA I – Sab 9,13-19
Leitura do Livro da
Sabedoria
Qual o homem que pode
conhecer os desígnios de Deus? Quem pode sondar as intenções do Senhor? Os
pensamentos dos mortais são mesquinhos e inseguras as nossas reflexões, porque
o corpo corruptível deprime a alma e a morada terrestre oprime o espírito que
pensa. Mas podemos compreender o que está sobre a terra e com dificuldade
encontramos o que temos ao alcance da mão. Quem poderá então descobrir o que há
nos céus? Quem poderá conhecer, Senhor, os vossos desígnios, se Vós não lhe
dais a sabedoria e não lhe enviais o vosso espírito santo? Deste modo foi
corrigido o procedimento dos que estão em terra, os homens aprenderam as coisas
que Vos agradam e pela sabedoria foram salvos.
Palavra do Senhor.
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 89
(90)
Refrão: Senhor, tendes sido o nosso refúgio
através das gerações.
através das gerações.
Vós reduzis o homem ao pó da terra
e dizeis: «Voltai, filhos de Adão».
Mil anos a vossos olhos são como o dia de ontem que passou
e como uma vigília da noite.
e dizeis: «Voltai, filhos de Adão».
Mil anos a vossos olhos são como o dia de ontem que passou
e como uma vigília da noite.
Vós os arrebatais como um sonho,
como a erva que de manhã reverdece;
de manhã floresce e viceja,
à tarde ela murcha e seca.
como a erva que de manhã reverdece;
de manhã floresce e viceja,
à tarde ela murcha e seca.
Ensinai-nos a contar os nossos dias,
para chegarmos à sabedoria do coração.
Voltai, Senhor! Até quando…
Tende piedade dos vossos servos.
para chegarmos à sabedoria do coração.
Voltai, Senhor! Até quando…
Tende piedade dos vossos servos.
Saciai-nos desde a manhã com a vossa bondade,
para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.
Desça sobre nós a graça do Senhor nosso Deus.
Confirmai, Senhor, a obra das nossas mãos.
para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.
Desça sobre nós a graça do Senhor nosso Deus.
Confirmai, Senhor, a obra das nossas mãos.
LEITURA II – Flm 9b-10.12-17
Leitura da Epístola do
apóstolo São Paulo a Filémon
Caríssimo: Eu, Paulo,
prisioneiro por amor de Cristo Jesus, rogo-te por este meu filho, Onésimo, que
eu gerei na prisão. Mando-o de volta para ti, como se fosse o meu próprio
coração. Quisera conservá-lo junto de mim, para que me servisse, em teu lugar,
enquanto estou preso por causa do Evangelho. Mas, sem o teu consentimento, nada
quis fazer, para que a tua boa acção não parecesse forçada, mas feita de livre
vontade. Talvez ele se tenha afastado de ti durante algum tempo, a fim de o
recuperares para sempre, não já como escravo, mas muito melhor do que escravo:
como irmão muito querido. É isto que ele é para mim e muito mais para ti, não
só pela natureza, mas também aos olhos do Senhor. Se me consideras teu amigo,
recebe-o como a mim próprio.
Palavra do Senhor.
EVANGELHO – Lc 14,25-33
Evangelho de Nosso
Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, seguia
Jesus uma grande multidão. Jesus voltou-Se e disse-lhes: «Se alguém vem ter
comigo, sem Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às
irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua
cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo. Quem de entre vós, que, desejando
construir uma torre, não se senta primeiro a calcular a despesa, para ver se
tem com que terminá-la? Não suceda que, depois de assentar os alicerces, se
mostre incapaz de a concluir e todos os que olharem comecem a fazer troça,
dizendo: Esse homem começou a edificar, mas não foi capaz de concluir’. E qual
é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro a
considerar se é capaz de se opor, com dez mil soldados, àquele que vem contra
com ele com vinte mil? Aliás, enquanto o outro ainda está longe, manda-lhe uma
delegação a pedir as condições de paz. Assim, quem de entre vós não renunciar a
todos os seus bens, não pode ser meu discípulo».
Palavra da Salvação.
R E F L E X Ã O
Hoje,
em Roma, pelas 10,30 h, o Papa canoniza a Madre Santa Teresa de Calcutá: um
modelo de virtude, de caridade, de serviço a Deus e aos mais pobres.
1.---O acontecimento está de acordo com a liturgia deste domingo. Os
textos lidos e proclamados convidam-nos a tomar consciência de quanto é
exigente o caminho do “Reino de Deus”. Optar pelo “Reino de Deus” não é
escolher um caminho de facilidade, mas sim aceitar percorrer um caminho de
renúncia e entrega da nossa vida ao serviço de Deus e ao serviço dos Irmãos.
2.---A primeira leitura lembra a todos aqueles que não conseguem decidir-se pelo “Reino
de Deus” que só n’Ele é possível encontrar a verdadeira felicidade e o sentido
da vida. Embora exigente, é o único e verdadeiro caminho que leva à felicidade
plena.
3.---Todos aqueles que
estão interessados em dar um verdadeiro sentido à sua vida, têm de deixar-se
conduzir pela “Sabedoria de Deus” – esse dom que Ele oferece a todas as pessoas
humildes, generosas e bem-intencionadas. Quem possui esse dom de Deus, sabe
distinguir o bem do mal, o verdadeiro do falso, o importante do inútil.
4.---É essa sabedoria de
Deus que nos ajuda a ver em cada pessoa um irmão a amar, um irmão a ajudar, e
não um escravo a servir-nos para o que nós queremos ou precisamos. “Não há
grego ou judeu, escravo ou homem livre, homem ou mulher: o que somos todos é
irmãos em Cristo Jesus”- diz S. Paulo.
5.----É, sobretudo, o Evangelho que traça as coordenadas do “caminho
do discípulo”: é um caminho em que o “Reino” deve ter a primazia sobre as
pessoas que amamos, sobre os nossos bens, sobre os nossos próprios interesses e
esquemas pessoais.
6.---Quais são então, na perspectiva de Jesus, as exigências fundamentais para quem quer seguir o “caminho do discípulo” e chegar a sentar-se à mesa do “Reino”? Jesus põe três exigências, todas elas subordinadas ao tema da renúncia.
a) ---A primeira exige o preferir Jesus à própria família: ao pai, à mãe, ao marido, à esposa, aos filhos… Segundo a maneira oriental de falar, “odiar” significa “pôr em segundo lugar algo porque, entretanto, apareceu na vida da pessoa um valor que ainda é mais importante”. É evidente que Jesus não está a pedir o ódio a ninguém, muito menos a esses a quem nos ligam laços de amor… Está, sim, a exigir que as relações familiares não nos impeçam de aderir ao “Reino de Deus”. Se for necessário escolher, a prioridade deve ser pelo “Reino de Deus”.
b) ---A segunda exige a renúncia à própria vida. O discípulo de Jesus não pode viver a fazer opções egoístas, colocando em primeiro lugar os seus interesses, os seus esquemas, aquilo que é melhor para ele; mas tem de colocar a sua vida ao serviço do “Reino” e fazer da sua vida um dom de amor aos irmãos, se necessário até à morte. Foi esse, de facto, o caminho de Jesus; e o discípulo é convidado a imitar o mestre.
c) ---A terceira exige a renúncia aos bens. Jesus sabe que os bens podem facilmente transformar-se em deuses, tornando-se uma prioridade, escravizando o homem e levando-o a viver em função deles; assim sendo, que espaço fica para o “Reino”? Por outro lado, dar prioridade aos bens significa viver de forma egoísta, esquecendo as necessidades dos irmãos; ora, viver na dinâmica do “Reino” implica viver no amor e deixar que a vida seja dirigida por uma lógica de amor e de partilha
7.--- Com este rol de
exigências, fica claro que a opção pelo “Reino” não é um caminho de facilidade
e, por isso, talvez não seja um caminho que todos aceitem e queiram seguir. É
por isso que Jesus recomenda que pesemos bem as implicações e as consequências
da nossa opção pelo “Reino de Deus”. A parábola do homem que, antes de construir
uma torre, pensa se tem com que terminá-la, e a parábola do rei que, antes de
partir para a guerra, pensa se pode opor-se a outro rei com forças superiores convidam
os candidatos a discípulos a tomar consciência da sua força, da sua vontade, da
sua decisão em corresponder aos desafios do Evangelho e em assumir, com
radicalidade, as exigências do “Reino”.
8.---Seguir Jesus e o
Seu Reino no mundo, exige de nós “outro modo de estar na vida”. Não a vida
larga dos prazeres e das ambições, mas a vida simples de generosa da entrega e
do serviço: a Deus e aos Irmãos.



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