RECOLHA DE ALIMENTOS

Publicada por Correia Duarte | Etiquetas: | Posted On at 03:28

Campanha de recolha de alimentos nos dias 30 de novembro e 1 de dezembro

Os Bancos Alimentares Contra a Fome realizam este sábado e domingo uma campanha de recolha de alimentos nos supermercados das zonas onde desenvolvem atividade no próximo fim de semana.
Será também possível contribuir até 8 de dezembro na campanha “Ajuda Vale”, bastando pedir um vale nas caixas dos supermercados com um código de barras específico para os produtos destinados aos Bancos Alimentares.

Está também disponível ainda uma plataforma eletrónica em www.alimentestaideia.net para doação de alimentos pela internet, que permite a participação na campanha de pessoas que habitualmente não se deslocam ao supermercado ou que residam fora de Portugal.

A campanha conta com a colaboração de mais de 40 mil voluntários, à porta de quase 1900 estabelecimentos comerciais.
Em 2012 foram apoiadas 2.221 instituições de solidariedade, que entregaram os produtos alimentares a mais de 389.200 pessoas, sob a forma de cabazes de alimentos ou refeições confecionadas.
Texto: Isabel Jonet

O BANCO ALIMENTAR CONTRA A FOME

O primeiro Banco Alimentar surgiu nos Estados Unidos, em 1966, quando o Senhor John Fanhengel – impressionado com a visão de uma mulher que procurava restos de comida nos caixotes do lixo para alimentar os seus nove filhos – decidiu pedir aos agricultores locais os restos das suas plantações de batatas. Em resposta ao seu pedido, viu-se a braços com vários camiões TIR cheios de batatas que distribuiu por associações de caridade.

Decidiu então criar uma organização destinada precisamente a “ir buscar onde sobra para entregar onde falta”: é esta a ideia base sobre a qual assenta toda a atividade desenvolvida pelos Bancos Alimentares. O seu nome “Second Harvest” inspira-se num direito consagrado na Constituição americana que permite aos carenciados recolherem as espigas que ficam nas searas depois de passar a ceifeira debulhadora. A ideia foi importada para a Europa, tendo-se disseminado por vários países, entre os quais Portugal.
Quando sabemos que existem pessoas ao nosso lado com carências alimentares gravíssimas, idosos que vivem apenas com o que lhes resta das reduzidas pensões de reforma depois de comprados todos os remédios de que necessitam, crianças que só comem o que lhes é dado nas creches ou ATL porque vivem em famílias desestruturadas, poderemos assistir impávidos à destruição diária de milhares de quilos de alimentos pelo simples facto do ano agrícola ter sido bom, e a produção superior ao esperado ou porque a imagem comercial da empresa se alterou?
Para já não falar do desrespeito pelo trabalho de cada homem (agricultor, empresário, industrial, etc.), que investiu o seu esforço e saber em cada etapa do processo produtivo… Muita desta pobreza tem uma natureza envergonhada e particular, que não pode por definição ser eficazmente assistida pelo Estado, por via do recurso a modelos uniformes, incaracterísticos e frequentemente impessoais. O acompanhamento dessas situações e uma ação eficaz para lhes dar resolução exigem proximidade e calor humano.
A ação do Banco Alimentar assenta na gratuidade, na dádiva, na partilha, no voluntariado e no mecenato. Ser voluntário não é só ajudar uma pessoa menos favorecida; é muito mais do que isso. É querer fazer o Bem, estar envolvido como participante em ações concretas; é um modo de estar na vida, por via da qual a participação ativa e responsável nas diversas estruturas da sociedade é um imperativo de cidadania; é exercício de civismo e de correponsabilidade pelo bem comum.
O voluntariado tradicional, embora muito importante, perdeu alguma da sua expressão. Vivemos tempos mais exigentes em que este tipo de trabalho passou a ter de estar integrado em atividades organizadas e a revestir uma natureza quase profissional, pese embora não remunerada; os voluntários passaram a ter de se assumir como agentes ou promotores de desenvolvimento em conjunto com outras entidades.
Cada pessoa dá em função da sua vontade, da sua disponibilidade. Mas existe um efeito multiplicador, em termos de resultados, da ação da sociedade civil quando reunida e organizada. O Banco Alimentar é um fantástico exemplo de união das vontades de empresas, doadores financeiros, voluntários e instituições de solidariedade social que, de forma coordenada, geral, resultados muito superiores aos que seriam obtidos se cada um desses agentes de solidariedade resolvesse agir isoladamente. O importante é o comprometimento e o reconhecimento de que cada um de nós pode fazer a diferença com a sua forma de estar na vida e com as suas opções. Contribuindo para o Bem.
Temos a ambição de chegar a todos os que necessitam da nossa ação. Queremos ser ainda mais eficazes na forma como desempenhamos o papel de intermediação entre aqueles locais onde abundam os bens alimentares e aqueles outros onde escasseiam. E queremos sobretudo – naquilo que é o nosso objetivo mais nobre e exigente, mas também porventura o mais difícil de alcançar – quebrar o ciclo da pobreza, procurando que a ajuda que chega aos mais carenciados colmate não só uma lacuna temporária, mas no essencial permita aos beneficiários encontrar um ponto de partida para uma nova vida digna e autónoma, não dependente de qualquer lógica assistencial.
Colmatar lacunas alimentares dos nossos concidadãos é promover o Bem? Acredito que sim. Não será fator exclusivo, como é evidente. Muitos outros estão em jogo. Mas penso que, resolvido este problema básico, ultrapassada esta dificuldade elementar, estarão mais facilmente reunidas as condições para que o Bem, aqui já no sentido mais lato, possa resultar e desabrochar de maneira mais natural.
Acredito que o Bem é difusor, ou seja, Bem gera Bem. (…)
Acredito, também, que o importante não são as virtudes pessoais, mas a graça que o Senhor põe em cada um de nós para realizar a Sua obra. O Bem flui naturalmente do Amor. E o Amor não é palavras: é sobretudo a atenção que dispensamos aos outros, sobretudo aos mais frágeis e desprotegidos.
Acabo com mais uma citação da Madre Teresa, essa santa que dedicou toda a sua vida ao exercício do Bem, pelo alívio dos sofrimentos dos mais fracos. “tudo o que não se dá, perde-se”. E o mundo em que vivemos não nos permite o desperdício de deixar perder o que quer que seja.» 
(Isabel Jonet, presidente da Federação dos Bancos Alimentares Contra a Fome).
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A "ASSOCIAÇÃO PAROQUIAL MIGUEL ANJO" tem vindo a receber apoio do Banco Alimentar Contra A Fome, desde 2011, e tem vindo a apoiar, com cabazes mensais de alimentos, 42 famílias do concelho.
Não nos esqueçamos de passar pelos supermercados neste fim de semana e dar a nossa ajuda e o nosso contributo!
Deus não quer que alguém passe fome e agradece muito a quem ajuda os mais necessitados.



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