PALAVRA DE DEUS (8º Domingo Comum - ano A)
Publicada por Correia Duarte | Etiquetas: Domingo a Domingo... | Posted On at 11:17
VIII
DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A
– 26 de fevereiro de 2017 –
LEITURA
I – Is 49, 14-15
Leitura do Livro do Êxodo
Sião dizia: «O Senhor
abandonou-me, o Senhor esqueceu-Se de mim». Poderá a mulher esquecer a criança
que amamenta e não ter compaixão do filho das suas entranhas? Mas ainda que ela
se esqueça, Eu não te esquecerei.
Palavra do Senhor.
SALMO
RESPONSORIAL – Salmo 61 (62)
Refrão: Só em Deus descansa, ó minha alma.
Só em Deus descansa a
minha alma,
d’ Ele me vem a
salvação.
Ele é meu refúgio e
salvação,
minha fortaleza:
jamais serei abalado.
Minha alma, só em Deus
descansa:
d’Ele vem a minha
esperança.
Ele é meu refúgio e
salvação,
minha fortaleza:
jamais serei abalado.
Em Deus está a minha
salvação e a minha glória,
o meu abrigo, o meu
refúgio está em Deus.
Povo de Deus, em todo
o tempo ponde n’Ele a vossa confiança,
desafogai em sua
presença os vossos corações.
LEITURA
II – 1 Cor 4, 1-5
Leitura da Primeira Epístola do apóstolo
São Paulo aos Coríntios
Irmãos: Todos nos
devem considerar como servos de Cristo e administradores dos mistérios de Deus.
Ora o que se requer nos administradores é que sejam fiéis. Quanto a mim, pouco
me importa ser julgado por vós ou por um tribunal humano; nem sequer me julgo a
mim próprio. De nada me acusa a consciência, mas não é por isso que estou
justificado: quem me julga é o Senhor. Portanto, não façais qualquer juízo
antes do tempo, até que venha o Senhor, que há-de iluminar o que está oculto
nas trevas e manifestar os desígnios dos corações. E então cada um receberá da
parte de Deus o louvor que merece.
Palavra do Senhor.
EVANGELHO
– Mt 6, 24-34
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo
segundo São Mateus
Naquele tempo, disse
Jesus aos seus discípulos: «Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou
há-de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vós
não podeis servir a Deus e ao dinheiro. Por isso vos digo: «Não vos preocupeis,
quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou de beber, nem, quanto ao
vosso corpo, com o que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e
o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu: não semeiam nem
ceifam nem recolhem em celeiros; o vosso Pai celeste as sustenta. Não valeis
vós muito mais do que elas? Quem de entre vós, por mais que se preocupe, pode
acrescentar um só côvado à sua estatura? E porque vos inquietais com o
vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam; mas
Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. Se
Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao forno,
não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? Não vos inquieteis, dizendo:
‘Que havemos de comer? Que havemos de beber? Que havemos de vestir?’ Os pagãos
é que se preocupam com todas estas coisas. Bem sabe o vosso Pai celeste que
precisais de tudo isso. Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e
tudo o mais vos será dado por acréscimo. Portanto, não vos inquieteis com o dia
de amanhã, porque o dia de amanhã tratará das suas inquietações. A cada dia
basta o seu cuidado».
Palavra da Salvação.
INTRODUÇÃO.
Nas nossas sociedades ocidentais,
consumistas e materialistas, nas nossas aldeias, vilas e cidades, já não há
Domingos. Os supermercados e os campos de futebol estão cheios. As grandes superfícies estão abertas; as lojas de comércio
também; os trabalhadores estão proibidos de descansar com as famílias;
empregados e clientes, em vez de irem às igrejas adorar a Deus, correm para o
comércio para vender, comprar e passear.
REFLEXÃO:
A
liturgia deste 8º Domingo lembra-nos que o crente, e muito mais o cristão, não
podem nem devem viver obcecados com os bens mais primários da vida, tais como o
alimento, o vestuário ou o dinheiro. Se é verdadeiramente crente e conhece bem
a Deus, sabe que Ele cuida dos seus filhos com a solicitude de um BOM PAI e com
a ternura de uma Santa Mãe. E, assim sendo, cumpre os seus deveres de cada dia,
sereno, tranquilo, pois sabe que, amando e servindo a Deus de todo o coração, e
não O trocando por nada nem por ninguém, Ele nunca lhe faltará com o
necessário.
1.---A primeira leitura sublinha a solicitude e o amor de Deus, recorrendo
à imagem da maternidade, dizendo que a mãe ama o filho, com um amor instintivo,
eterno, gratuito, incondicional, e que o amor de Deus mantém as características
do amor da mãe pelo filho. Deus não abandona nem esquece ninguém. É evidente
que uma mãe não se esquece de um filho. No entanto, mesmo que por hipótese
absurda isso acontecesse, Deus não esqueceria o seu Povo e a sua cidade.
2.---O Evangelho convida-nos a
buscar o essencial, por entre a enorme variedade de coisas secundárias que, dia
a dia, ocupam os nossos interesses e as nossas preocupações. Sendo o dinheiro o
poder que domina o mundo e faz correr as pessoas, o evangelista lembra que ele
pode tornar-se o ídolo diante do qual nos ajoelhemos, perdendo tempo e
disponibilidade para adorarmos a Deus. Ou seja: o amor excessivo ao dinheiro
fecha o coração das pessoas a Deus e às Suas propostas, torna-as egoístas e
injustas, e fecha-lhes o coração às necessidades do próximo. As pessoas que têm
a cabeça cheia de notas e o coração cheio de ambições, tornam- se injustas,
prepotentes, corruptas, exploradoras.
3.---Uma
ânsia excessiva em relação às pequenas ou grandes necessidades quotidianas pode
ofuscar o interesse e a recordação do objectivo e tirar o sentido da existência,
inclusive anular a nossa relação com Deus, que é fundamental para que a vida
tenha significado: a plena comunhão com Deus, o nosso Pai celeste.
4.---Mas então, os membros da comunidade cristã não devem preocupar –se minimamente
com as suas necessidades básicas? Certamente, mas como valores secundários que impeçam
nem se sobreponham aos valores do “Reino”. De resto, não precisamos de viver
obcecados com essas coisas, pois o próprio Deus Se encarregará de suprir as
necessidades materiais dos seus filhos: “se Deus, cada dia, veste de cores os
lírios do campo e alimenta quotidianamente as aves do céu, não fará o mesmo –
ou até mais – pelos homens?
5.---O crente que escolheu o “Reino de Deus e a Sua Justiça” deve viver
nessa serena tranquilidade que resulta da confiança absoluta no Deus que não
falha. Viver na dinâmica do “Reino” não é cruzar os braços à espera que Deus
faça chover do céu aquilo de que necessitamos; mas é viver comprometido,
procurando em tudo a Santíssima Vontade de Deus, e trabalhando todos os dias, a
fim de que o sonho de Deus – o mundo novo da justiça, da verdade e da paz – se
concretize.
Que Deus nos ajude a todos a viver assim.



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