PALAVRAS DE DEUS (1.º DOMINGO DA QUARESMA -ANO A)

Publicada por Correia Duarte | Etiquetas: | Posted On at 11:37

I DOMINGO DA QUARESMA – ANO A
– 5 de março de 2017 --

                                                                                           (Quadro de Boticelli)
LEITURA I – Gen 2,7-9;3,1-7
Leitura do Livro do Génesis
O Senhor Deus formou o homem do pó da terra, insuflou em suas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivo. Depois, o Senhor Deus plantou um jardim no Éden, a oriente, e nele colocou o homem que tinha formado. Fez nascer na terra toda a espécie de árvores, de frutos agradáveis à vista e bons para comer, entre as quais a árvore da vida, no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal. Ora, a serpente era o mais astucioso de todos os animais do campo que o Senhor Deus tinha feito. Ela disse à mulher: «É verdade que Deus vos disse: “Não podeis comer o fruto de nenhuma árvore do Jardim”?» A mulher respondeu: «Podemos comer o fruto das árvores do jardim; mas, quanto ao fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus avisou-nos: “Não podeis comer dele nem tocar-lhe, senão morrereis”». A serpente replicou à mulher: «De maneira nenhuma! Não morrereis. Mas Deus sabe que, no dia em que o comerdes, abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como deuses, ficando a conhecer o bem e o mal». A mulher viu então que o fruto da árvore era bom para comer e agradável à vista, e precioso para esclarecer a inteligência. Colheu o fruto e comeu-o; depois deu-o ao marido, que estava junto dela, e ele também comeu. Abriram-se então os seus olhos e compreenderam que estavam despidos. Por isso, entrelaçaram folhas de figueira e cingiram os rins com elas.
Palavra do Senhor.
SALMO RESPONSORIAL – SALMO 50 (51)
Refrão 1: Pecámos, Senhor: tende compaixão de nós.

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,
pela vossa grande misericórdia,
apagai os meus pecados.
Lavai-me de toda a iniquidade
e purificai-me de todas as faltas.

Porque eu reconheço os meus pecados
e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.
Pequei contra Vós, só contra Vós,
e fiz o mal diante dos vossos olhos.

Criai em mim, ó Deus, um coração puro
e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.
Não queirais repelir-me da vossa presença
e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação
e sustentai-me com espírito generoso.
Abri, Senhor, os meus lábios
e a minha boca cantará o vosso louvor.
 
LEITURA II – Rom 5,12-19

Leitura do apóstolo São Paulo aos Romanos
Irmãos: Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram. De facto, até à Lei, existia o pecado no mundo. Mas o pecado não é levado em conta, se não houver lei. Entretanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo para aqueles que não tinham pecado por uma transgressão à semelhança de Adão, que é figura d’Aquele que havia de vir. Mas o dom gratuito não é como a falta. Se pelo pecado de um só pereceram muitos, com muito mais razão a graça de Deus, dom contido na graça de um só homem, Jesus Cristo, se concedeu com abundância a muitos homens. E esse dom não é como o pecado de um só: o julgamento que resultou desse único pecado levou à condenação, ao passo que o dom gratuito, que veio depois de muitas faltas, leva à justificação. Se a morte reinou pelo pecado de um só homem, com muito mais razão, aqueles que recebem com abundância a graça e o dom da justiça, reinarão na vida por meio de um só, Jesus Cristo. Porque, assim como pelo pecado de um só, veio para todos os homens a condenação, assim também, pela obra de justiça de um só, virá para todos a justificação que dá a vida. De facto, como pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, pela obediência de um só, muitos se tornarão justos.
Palavra do Senhor.
EVANGELHO – Mt 4,1-11
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo Demónio. Jejuou quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome. O tentador aproximou se e disse lhe: «Se és Filho de Deus, diz a estas pedras que se transformem em pães». Jesus respondeu lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’». Então o Demónio conduziu O à cidade santa, levou O ao pináculo do templo e disse Lhe: «Se és Filho de Deus, lança Te daqui abaixo, pois está escrito: ‘Deus mandará aos seus Anjos que te recebam nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’». Respondeu lhe Jesus: «Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’». De novo o Demónio O levou consigo a um monte muito alto, mostrou Lhe todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse Lhe: «Tudo isto Te darei, se, prostrado, me adorares». Respondeu lhe Jesus: «Vai te, Satanás, porque esta escrito: ‘Adoraras o Senhor teu Deus e só a Ele prestaras culto’». Então o Demónio deixou O e logo os Anjos se aproximaram e serviram Jesus.
Palavra da Salvação.
REFLEXÃO:

No início da nossa caminhada quaresmal, a Palavra de Deus convida-nos à “conversão” – isto é, a recolocar Deus no centro da nossa vida, a aceitar a comunhão com Ele, a escutar as suas propostas, e a concretizar no mundo os seus projectos.

1.--- A primeira leitura afirma que Deus criou o homem para a felicidade e para um futuro de paz, de alegria e segurança. O autor do texto parece querer lembrar-nos que, se escutarmos as propostas de Deus, conhecemos a vida e a felicidade; mas que, ao contrario, sempre que prescindimos de Deus e nos fechamos em nós próprios, no nosso egoísmo, no nosso orgulho, na nossa auto-suficiência, construímos para nós próprios e para os outros, caminhos de sofrimento, de desilusão e de morte.

2.—A “árvore da vida” representa a felicidade de amar e servir a Deus e de viver em comunhão com Ele e com os nossos semelhantes. Ao contrário, a “árvore do conhecimento do bem e do mal”, significará o orgulho e a auto-suficiência de quem acha que pode conquistar a sua própria felicidade, prescindindo de Deus e desobedecendo a Deus.
Comer da “árvore do conhecimento do bem e do mal” significa fechar-se em si próprio, querer decidir por si só o que é bem e o que é mal, pôr-se a si próprio em lugar de Deus, reivindicar autonomia total em relação ao criador. O homem que renuncia à comunhão com Deus está a seguir por caminhos que lhe parecem fáceis, promissores e belos, mas que o conduzem à nudez e à vergonha. Depois do seu pecado, da sua desobediência, “viram que estavam nus e esconderam-se de Deus”. A “serpente” surge aqui como símbolo de tudo o que afasta as pessoas de Deus e das suas propostas, sugerindo-lhes os caminhos agradáveis do prazer, do orgulho, do egoísmo e de auto-suficiência, para verificarem mais tarde que estão nuas, vazias e perdidas.

3.---Nessa mesma linha, a segunda leitura propõe à nossa reflexão dois exemplos de vida bem diferentes: o de Adão e o de Jesus. Adão representa as pessoas que escolhem ignorar as propostas de Deus e decidir, por si sós, os caminhos que elas entendem lhes podem dar prazer e bem-estar; Jesus é o homem que escolhe viver na obediência às propostas de Deus e que vive na obediência aos projectos do Pai. O esquema de Adão gera egoísmo, sofrimento e morte; o esquema de Jesus gera vida plena e definitiva, paz e salvação para todos.

4.---O Evangelho apresenta, de forma mais clara ainda, o exemplo de Jesus.
Posto diante das tentações maiores do homem, as mesmas que nós sentimos ainda hoje, Ele recusou liminarmente tudo o que pudesse ser muito agradável e gostoso, mas que envolvia uma desobediência ao projecto do Pai a Seu respeito.
Quem não sente a tentação do ter, do prazer e do poder? A riqueza, a vaidade e o poder, são os frutos proibidos por nós tão apetecidos; bolinhas de sabão que continuam a deslumbrar o nosso ego. Transformar as pedras em pão e em dinheiro…sermos aplaudidos com palmas por saltarmos de uma torre…termos o poder de mandar num  reino ou de governar um império …quem não passa por tudo isso, de uma ou outra forma, numa ou noutra ocasião? O prazer de comer e do beber, a vaidade de viver, a ambição da influência social e do poder político…tantas pessoas afastam de Deus e as leva a prescindir d’Ele e a desrespeitar as Suas Santas Leis.

5.---Com o Seu exemplo de prontidão a dizer NÃO às tentações, Jesus mostrou-nos que o caminho de uma vida feliz, não está nos prazeres corporais, nas vaidades humanas e nas grandezas sociais, e ensinou-nos a nós a reagir do mesmo modo. Melhor que a riqueza, os prazeres corporais, as vaidades sociais, ou as grandezas políticas, as raízes de verdadeira felicidade nesta vida e na futura, são a Palavra de Deus, a Simplicidade e a Humildade da Vida, a Adoração a Deus Nosso Senhor e Criador, e o respeito e a obediência às Suas Santas Leis.
Não quero dizer que seja pecado gostarmos de comer e de beber, de possuirmos os bens materiais que são necessários, de andarmos bem arranjados, de cuidarmos da nossa saúde, de sermos estimados pelos demais, ou de ascendermos a cargos de presidência ou de chefia. Tudo isso é necessário. A tentação consiste em valorizarmos tanto essas necessidades e desejos, a ponto de fazermos deles o nosso primeiro objectivo de vida, prescindindo de Deus, e esquecendo e desrespeitando a Sua Santíssima Vontade bem expressa nos Seus Santos Mandamentos.
Basta pensarmos na poluição da natureza, na ditadura de moda, na prostituição, nos desregramentos de natureza sexual, na corrupção financeira, nas traições aos colegas e amigos, no desprezo pelos outros, nos atentados à vida humana antes e depois de nascer… A mensagem do Papa para esta Quaresma fala disto tudo, citando a parábola do rico avarento e do pobre Lázaro, uma parábola contada por Jesus e que mostra o que é neste mundo uma vida à margem de Deus, e quais são as consequências, para já, e para depois.

6.---Não nos iludamos: só existe um caminho de harmonia, de paz e de felicidade: o da obediência a Deus que nos ama como Pai, e às propostas de vida que Ele nos deixou para seguirmos: os Seus Santos Mandamentos. 

7.---Santo Agostinho disse que, se Adão tivesse rezado, não teria pecado. Jesus ensinou-nos a rezar assim: “Não nos deixeis cair na tentação, mas livrai-nos do mal.
Peçamos ao Divino Espírito Santo renove em nós o Dom da Sua Fortaleza, para sermos capazes de seguir o exemplo de Jesus, dizendo sempre não a tudo o que nos afasta de Deus e das Suas Santas Leis, e a todos os que nos tentam afastar desse caminho, de uma ou outra forma.


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