PALAVRAS DE DOMINGO (V Domingo Comum - ano C)
Publicada por Correia Duarte | | Posted On at 11:39
– 5º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano C
LEITURA I – Is 6,1-2a.3-8
Leitura do Livro de Isaías
No ano em que morreu Ozias, rei de Judá, vi o Senhor, sentado num trono alto e sublime; a fímbria do seu manto enchia o templo. À sua volta estavam serafins de pé, que tinham seis asas cada um e clamavam alternadamente, dizendo: «Santo, santo, santo é o Senhor do Universo. A sua glória enche toda a terra!» Com estes brados as portas oscilavam nos seus gonzos e o templo enchia-se de fumo. Então exclamei: «Ai de mim, que estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros, moro no meio de um povo de lábios impuros e os meus olhos viram o Rei, Senhor do Universo». Um dos serafins voou ao meu encontro, tendo na mão um carvão ardente que tirara do altar com uma tenaz. Tocou-me com ele na boca e disse-me: «Isto tocou os teus lábios: desapareceu o teu pecado, foi perdoada a tua culpa». Ouvi então a voz do Senhor, que dizia: «Quem enviarei? Quem irá por nós?» Eu respondi: «Eis-me aqui: podeis enviar-me».
Palavra do Senhor.
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 137 (138)
Refrão: Na presença dos Anjos, eu Vos louvarei, Senhor.
De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças,
porque ouvistes as palavras da minha boca.
Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar
e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.
Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,
porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.
Quando Vos invoquei, me respondestes,
aumentastes a fortaleza da minha alma.
Todos os reis da terra Vos hão-de louvar, Senhor,
quando ouvirem as palavras da vossa boca.
Celebrarão os caminhos do Senhor,
porque é grande a glória do Senhor.
A vossa mão direita me salvará,
o Senhor completará o que em meu auxílio começou.
Senhor, a vossa bondade é eterna,
não abandoneis a obra das vossas mãos.
LEITURA II – 1 Cor 15,1-11
Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios
Recordo-vos, irmãos, o Evangelho que vos anunciei e que recebestes, no qual permaneceis e pelo qual sereis salvos, se o conservais como eu vo-lo anunciei; aliás teríeis abraçado a fé em vão. Transmiti-vos em primeiro lugar o que eu mesmo recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze. Em seguida apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maior parte ainda vive, enquanto alguns já faleceram. Posteriormente apareceu a Tiago e depois a todos os Apóstolos. Em último lugar, apareceu-me também a mim, como o abortivo. Porque eu sou o menor dos Apóstolos e não sou digno de ser chamado Apóstolo, por ter perseguido a Igreja de Deus. Mas pela graça de Deus sou aquilo que sou e a graça que Ele me deu não foi inútil. Pelo contrário, tenho trabalhado mais que todos eles, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo. Por conseguinte, tanto eu como eles, é assim que pregamos; e foi assim que vós acreditastes.
Palavra do Senhor.
EVANGELHO – Lc 5,1-11
Evangelho de Nosso senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, estava a multidão aglomerada em volta de Jesus, para ouvir a palavra de Deus. Ele encontrava-Se na margem do lago de Genesaré e viu dois barcos estacionados no lago. Os pescadores tinham deixado os barcos e estavam a lavar as redes. Jesus subiu para um barco, que era de Simão, e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra. Depois sentou-Se e do barco pôs-Se a ensinar a multidão. Quando acabou de falar, disse a Simão: «Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca». Respondeu-Lhe Simão: «Mestre, andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, lançarei as redes». Eles assim fizeram e apanharam tão grande quantidade de peixes que as redes começavam a romper-se. Fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco para os virem ajudar; eles vieram e encheram ambos os barcos de tal modo que quase se afundavam. Ao ver o sucedido, Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e disse-Lhe: «Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador».
Na verdade, o temor tinha-se apoderado dele e de todos os seus companheiros, por causa da pesca realizada.
Isto mesmo sucedeu a Tiago e a João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: «Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens». Tendo conduzido os barcos para terra, eles deixaram tudo e seguiram Jesus.
Palavra da Salvação.
REFLEXÃO:
As palavras de Deus que lemos e escutamos neste santo Domingo, em todas as Eucaristias que se celebram do mundo, são uma reflexão sobre a nossa incapacidade humana para assumirmos a alta missão que Deus nos confia, e, em simultâneo, sobre o apoio e a ajuda de Deus, que nunca nos falta.
1.---Na primeira leitura, o profeta Isaías conta-nos a sua própria experiência. Ao descobrir o que Deus queria dele – que fosse o seu mensageiro no meio do povo – e sentindo-se indigno, pequeno e incapaz para assumir essa missão, ficou cheio de medo. Percebendo porém que Deus estava com ele e que lhe perguntava quem iria enviar se ele não aceitasse, logo se prontificou, dizendo:
- Eis-me aqui. Podeis enviar-me.
2.---No Santo Evangelho, ouvimos contar como Jesus, depois de falar ao povo que estava na praia, a ouvi-lo, convidou Pedro e os seus colegas de trabalho a lançar as redes para um sítio errado e numa hora nada propícia para a pesca. Pedro, pescador experiente, orgulhoso da sua sabedoria e bom conhecedor da arte e do mar onde pescava, achou que isso não passava de uma tolice, mas, obedecendo mesmo assim, obteve uma pesca nunca vista. Ao ver este resultado, ele tomou consciência da sua incapacidade, e em simultâneo, do poder de Jesus. Ajoelhou-se, e disse: -Senhor, afasta-te de mim, que eu sou um grande pecador. E foi então, quando ele reconheceu a sua incapacidade pessoal, que Jesus o chamou a ele e aos colegas para deixarem a pesca e as redes (dizendo-lhes que não tivesses medo), e passarem a ser seus seguidores e seus apóstolos. E foram fiéis até ao fim. E levaram a mensagem de Jesus e a graça da salvação a toda a parte. E construíram esta Igreja que nós somos hoje.
3.---A nossa sociedade de hoje é uma sociedade medrosa e desconfiada. Muitos jovens têm medo de assumir compromissos sérios e para a vida toda: em vez de se casarem, juntam-se. Os pais têm medo de ter filhos, e não há crianças nem futuro. Os jovens têm medo de não ser capazes de se entregar a Deus para o Seu serviço e para o serviço da Igreja, e não há as vocações necessárias: os conventos estão quase despovoados; os seminários estão quase vazios; e as paróquias a ficar sem pároco. Muitos pais têm medo de contrariar e disciplinar os filhos, e assim, as crianças e os jovens vão crescendo sem educação, causam problemas nas escolas, e não se tornam adultos nem fortes, preparados para as dificuldades que hão-de encontrar mais tarde.
4.---Onde estará o problema? O problema não estará na nossa falta de fé e de confiança em Deus? Só confiamos em nós. E nós, somos todos frágeis, limitados e falíveis. A verdade é que, se Deus nos chama, se nos pede alguma coisa, e nós aceitamos, dá-nos os dons necessários e nunca nos abandona. Se nós dizemos sim ao que Deus quer da cada um de nós, podemos contar com a Sua presença contínua e com o Seu auxílio sempre pronto, sobretudo nas horas mais difíceis. E é isto o que nos falta saber. É nisto que nos falta acreditar. Se há sacerdotes tão fiéis, dedicados e zelosos durante uma vida inteira, e se há casais que permanecem unidos, felizes e fiéis até ao fim, é porque é possível. É possível, e é bom para todos. Para eles e para os filhos. É tudo uma questão de sermos responsáveis e sérios, e de contarmos e pedirmos a ajuda de Deus constantemente.
5.---Nós não andamos por aí ao “deus dará”! Deus tem um projecto de vida para cada um de nós. Deus tem uma missão para nos entregar e confiar: formar uma família unida e solidária, ser pai, ser mãe, ser sacerdote, ser um consagrado ou consagrada na vida religiosa, ser um servidor de Cristo e da Sua Igreja na transmissão da Sua doutrina, no serviço aos pobres e aos doentes, ser um educador das crianças e dos jovens. Ele precisa de nós. Ele conta connosco
6.----Precisamos de casais comprometidos e de famílias unidas, tranquilas e felizes. Sem divórcios, sem separações e sem violências. Precisamos de muitas crianças desejadas e amadas. Precisamos de sacerdotes para servirem o Pão, a Palavra e o Perdão de Deus ao Seu Povo. Precisamos de religiosos e religiosas dedicadas á oração e ao serviço dos mais frágeis. Precisamos de muitas pessoas na Igreja de Jesus, dedicadas ao serviço do Evangelho, do Louvor de Deus e da Caridade com os mais pobres. Só assim este mundo se tornará melhor, mais sereno e mais feliz. É uma Igreja assim que Jesus deseja e quer. É na procura de uma Igreja assim que os católicos de todo o mundo estão a ser ouvidos, a pedido do Santo Padre.
7.---Vejamos o que Deus nos pede, e assumamos compromissos. Façamos, da nossa parte, tudo o que devemos fazer, e o resto Deus resolve e faz. Nas dificuldades, nas dúvidas, e nos sofrimentos, quando eles chegarem – e chegam sempre - entreguemos tudo na mão de Deus, confiemos n’Ele, e mantenhamo-nos calmos, serenos e confiantes. Mesmo que nos custe, mantenhamo-nos no nosso posto. Procuremos ser fiéis, porque ser fiel é ser feliz. Entreguemos-lhe a nossa vida, o nosso tempo, a nossa saúde, os nossos problemas. Entreguemos-lhe o nosso casal, a nossa família. Entreguemos-lhe os nossos filhos. Sejam quais forem as dificuldades, Ele virá em nosso auxílio, e tudo resolverá, para nosso bem, e para bem de todos.
Amen. Assim seja.


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